Psicóloga On-line | Flavia Pitanga Psicóloga On-line

Psicóloga on-line

A dúvida

O fim da dúvida. É possível?

A dúvida cartesiana que defende a ideia de que se deve colocar tudo em dúvida para gerar o conhecimento, ou seja, esgotar a dúvida para chegar a certeza final, acaba com a possibilidade de novas descobertas. Pense sobre a antiga crença popular de que o ovo fazia mal para a saúde, mais especificamente a gema por causa do colesterol. A dúvida sobre isso trouxe um novo conhecimento, basta visitar um nutricionista para perceber que o ovo será o alimento mais repetido em seu cardápio.

Pensando nisso, podemos ir mais além. Talvez seja preciso recriar o método de ensino na maioria das escolas. Será que os professores não deveriam incentivar mais a dúvida ao invés de ensinar apenas modelos prontos? Isso estimularia o aprendizado e abriria caminhos para novas descobertas. Aprendendo a praticar a dúvida, os alunos conseguiriam, inclusive, escolher profissões que realmente façam sentido em suas vidas, algo tão difícil para os adolescentes de hoje, que só tendem a seguir a profissão dos pais (ou familiares) por imposição destes ou simplesmente por pura identificação, mas nunca por escolha própria.

Se a dúvida acabasse definitivamente, ao modo cartesiano, entraríamos em uma zona de conforto. O ser humano tem tendência a ir em busca dessa certeza finita, para se acomodar, mas essa certeza nada mais é do que enganar a si mesmo, pois mudamos o tempo todo e o mundo do qual fazemos parte também. O que foi “certo” já não é mais, conforme disse Lulu Santos e Nelson Motta:

Tudo muda o tempo todo

No mundo

Não adianta fugir

Nem mentir

Pra si mesmo agora

Há tanta vida lá fora

Aqui dentro sempre. (Lulu Santos e Nelson Motta, 1983)