Psicóloga On-line | Flavia Pitanga Psicóloga On-line

Psicóloga on-line

A dúvida

A contribuição da Psicanálise

Freud analisava seus pacientes através da associação livre, método em que o indivíduo fala tudo o que lhe vem à cabeça, ferramenta utilizada ainda hoje nos consultórios de Psicanálise. Dessa forma, o pai da Psicanálise descobriu que é possível chegar à consciência daquilo que a pessoa tem em si mesma e desconhece (o inconsciente). Atos falhos, por exemplo, representam questões inconscientes que aparecem quando a pessoa fala livremente. Os sonhos também expressam conteúdo inconsciente e eles podem ser devidamente interpretados no momento em que o paciente os relata ao psicanalista.

É possível notar que as pessoas procuravam e ainda procuram a Psicanálise devido a um sentimento de inquietude (de dúvida) que desejam resolver. A expectativa inicial de um paciente é amenizar esse sentimento. A Psicanálise ajuda nisso, ela atenua a inquietude, principalmente porque o paciente, ao falar o que sente, se acalma, começa a se ouvir para organizar suas ideias, mas esse método não é apenas terapêutico nesse sentido de encontrar certo conforto, ele traz a possibilidade de conhecer o que cada um na sua singularidade tem em si mesmo e que normalmente desconhece, ou seja, a Psicanálise promove o autoconhecimento.

É assim que o psicanalista ajuda o paciente em suas inquietudes, duvidas, escolhas. É preciso informar ao leitor que bancar algumas decisões conscientes muitas vezes é difícil, pois elas sempre trazem alguma perda, daí a problemática de cada indivíduo na percepção e na construção de sua história. Isso é explicado por Clóvis de Barros Filho e Júlio Pompeu:

Constantemente somos chamados a decidir pelos melhores caminhos a seguir, a fazer escolhas. Quando decisões deste gênero implicam tristeza ou frustração do outro, nos sentimos responsáveis, sofrendo pela escolha feita. Porém, esta é a realidade – para viver uma vida de verdade abdicamos de muitas outras. Toda escolha pressupões renúncia, sensação de perda. E nesta missão da escolha, muitas dúvidas são previsíveis e recorrentes. (DE BARROS FILHO, Clóvis; POMPEU, Júlio, 2013, p. 23)

Freud se colocou a prova com sua própria inquietude (dúvida), ficou muito abalado ao perder seu pai, teve sonhos perturbadores e decidiu testar seu método nele mesmo fazendo a primeira autoanálise consciente da história da Psicanálise. Chegou assim, inclusive, à ideia do complexo de édipo que se torna tão importante na teoria freudiana sobre a origem da neurose.

Freud (1911) disse que a autoanálise precisa ser sempre prosseguida, não deve parar. Ele explicou que em sua própria experiência, em cada momento, acabava se surpreendendo.